A Deolinda ia casar e andava numa “roda-viva” sentindo-se leve, airosa, limpa, luminosa, radiosa, fresca, pinocante, saltitante... O Francisco, o noivo da Deolinda, não gostava dela mas apostas são apostas e não se brinca com isso que é tão sagrado como qualquer hierofania. Uns dias antes, o Francisco apostou com a malta que até casava com a Deolinda se ganhasse a sueca. E assim foi; o Francisco lá conseguiu a sueca que morava no prédio - várias vezes - conforme apostado. Por acaso, a sueca tornou-se amiga da Deolinda e o Francisco andou um tempo sem nada: nem a sueca nem a Deolinda. Ia resolvendo a coisa como podia: ora com a direita, ora com a esquerda. A sueca era bem boa mas a Deolinda nem por isso; mas também era filha de Deus e favores era coisa que o Francisco até fazia pois, apesar de ter morto a avó à facada e fritado a cadela da vizinha em Vodka, era bom rapaz. No dia do casamento, o Francisco e os amigos ainda jogaram todos à sueca e que bom que isso foi para todos pois tiraram a barriga de misérias. É claro que foi um pouco escandaloso pois estavam lá as famílias em peso e alguns, os mais atrevidos de ambas, também experimentaram a sueca e não se arrependeram. A Deolinda parece que não se importou muito pois conhecia bem outras suecas do tempo das freiras e também deu uma perninha lá mais para o fim. Entre copos, suecas, casamento, famílias e Deolinda, quase todos foram felizes nessa tarde calorenta e casamenteira de um lindo mês de Agosto de Portugal, como é referido na canção pimba e em quase todos os arraiais populares deste belo povo lusitano. Para quê suecas se temos cá as nossas Marias e as nossas Deolindas?!
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