É verdade! O rei(zinho), o Sebastião(zinho) para os amigos, apareceu por cá. Finalmente chegou e está agora a repousar na vila jardim do Sardoal tendo passado a manhã na vila poema de Constância. Quando tiver disponível, irá decerto beber um copo à vila borboleta do Entroncamento. Ainda trazia o mesmo fato e aquele penteado que aparece nos retratos dos museus e dos livros. A comunidade gay realizou uma grande recepção ao seu rei e todos vestiam mais ou menos da mesma forma. Foi lindo de ser ver! Foi maravilhoso! Foi arrepiante! Foi histórico! Foi brutal! Foi real! Foi gay! Sentaram-se todos à volta do Sebastião e ouviram as muitas aventuras com os mouros sarracenos e não só. A última aventura tinha sido há bem pouco tempo, já em Portugal, próximo do Cais Sodré, na pensão da Belmira Arrepiado. Como se divertiam e suavam! Estavam ávidos e curiosos por saber os pormenores e, pela noite dentro, o Sebastião contava tudo com um intenso e real brilho nos olhos. Que excitação! Qual Sócrates qual porra! Agora sim, agora temos um grande governante que também é rei. Viva Sebastião! Viva Portugal! Os gays ao poder! Lia-se em português da época um pouco por todo o lado.
DA TANGA E DA TRETA
pequenos contos quase-surrealistas por Ângelo Rodrigues (angelorodrigues@netcabo.pt)
Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
Terça-feira, 22 de Junho de 2010
O CASAMENTO, A DEOLINDA E A BOA DA SUECA
A Deolinda ia casar e andava numa “roda-viva” sentindo-se leve, airosa, limpa, luminosa, radiosa, fresca, pinocante, saltitante... O Francisco, o noivo da Deolinda, não gostava dela mas apostas são apostas e não se brinca com isso que é tão sagrado como qualquer hierofania. Uns dias antes, o Francisco apostou com a malta que até casava com a Deolinda se ganhasse a sueca. E assim foi; o Francisco lá conseguiu a sueca que morava no prédio - várias vezes - conforme apostado. Por acaso, a sueca tornou-se amiga da Deolinda e o Francisco andou um tempo sem nada: nem a sueca nem a Deolinda. Ia resolvendo a coisa como podia: ora com a direita, ora com a esquerda. A sueca era bem boa mas a Deolinda nem por isso; mas também era filha de Deus e favores era coisa que o Francisco até fazia pois, apesar de ter morto a avó à facada e fritado a cadela da vizinha em Vodka, era bom rapaz. No dia do casamento, o Francisco e os amigos ainda jogaram todos à sueca e que bom que isso foi para todos pois tiraram a barriga de misérias. É claro que foi um pouco escandaloso pois estavam lá as famílias em peso e alguns, os mais atrevidos de ambas, também experimentaram a sueca e não se arrependeram. A Deolinda parece que não se importou muito pois conhecia bem outras suecas do tempo das freiras e também deu uma perninha lá mais para o fim. Entre copos, suecas, casamento, famílias e Deolinda, quase todos foram felizes nessa tarde calorenta e casamenteira de um lindo mês de Agosto de Portugal, como é referido na canção pimba e em quase todos os arraiais populares deste belo povo lusitano. Para quê suecas se temos cá as nossas Marias e as nossas Deolindas?!
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
DA HERANÇA DO HOMEM QUE MORREU A VER VÍDEOS ERÓTICOS OFERECIDOS PELOS FILHOS
O homem morreu quando visionava filmes eróticos ao mesmo tempo que esfolava um pardal para o lanche. Dizem que foi ataque de coração. Dizem que foi AVC. Há ainda a hipótese, pouco provável, de que pode ter sido píveas em excesso. Outros avançam com a hipótese de que foi ADN ou qualquer coisa genética. Há mesmo quem diga que foi mau-olhado e mal de inveja. Dizem também que foi por causa de umas badalhocas da aldeia. Era boa pessoa, coitado! Dava-se bem com os animais, os porcos, os políticos, algumas tias e também com pessoas. Era viúvo e tinha uma amante gorda com três mamas e um traseiro de respeito. Tinha seis filhos legítimos, dezasseis filhos das vizinhas e um travesti da amante. O homem não era rico nem pobre, não era feio nem bonito, era católico e não era. Tinha bens que rondavam cerca de trinta e cinco mil euros. Com esta quantia é possível passar férias em hotéis de cinco estrelas: três vezes no Allgarve e uma vez na Riviera francesa. O homem tinha três cães que possuíam cerca de cinquenta e sete carraças cada um e trinta pulgas no total. O homem tinha também um património genético muito valioso constituído por quatro bases: Adenina, Citosina, Guanina e Timina. Isto iria decerto constituir um problema na divisão do património pois eram seis filhos e só tinham quatro bases. O homem tinha ainda três patos, sete galinhas, oitenta coelhos, uma vaca, três pardais de campo, um pardal de cidade, um rato empreendedor, um cágado um pouco sujo e uma ministra da educação que, ao que parece, a nenhum dos filhos interessava. Quando realizaram a reunião para procederem à divisão do património do homem, os filhos abateram logo a ministra e resolveram de vez essa herança. Quanto ao restante património, procederam da seguinte maneira: fizeram uma fritada de carraças com sobremesa de pulgas e resolveram também este problema da herança. O filho mais velho levou a Adenina, o filho mais novo ficou com a Citosina, o filho mais baixo ficou com a Guanina e ao filho mais feio calhou-lhe a Timina. Os outros choraram baba e ranho, coçaram os tomates, calaram-se e tudo se resolveu ao estalo. Quanto ao restante da herança, pelo facto de ser de pouca monta, foi doada à Santa Casa da Misericórdia do Sardoal e assim, o Céu ficou garantido e também com este desfecho, o homem que morreu será redimido de todos os pecados e terá direito à eternidade e mais além.
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
A DONA E A LADY
A Dona Dona queria casar com um tipo rico e bem-parecido. Foi para a janela da sala grande e começou a acenar aos homens passantes que lhe pareciam ricos e bem-parecidos. Primeiro, passou um tipo de fato azul e gravata cor-de-rosa; depois, passou um tipo de fato preto e gravata azul; mais tarde um pouco, passou um padre acompanhado de um proxeneta; mais tarde ainda, passou um travesti com um papagaio. A seguir, cheio de glamour e de Chanel, passou um ser da espécie José Castelo Branco. A Dona Dona ficou tão excitada, vibrante, radiante e… pensando para consigo: ora aí está um HOMEM que parece bem-parecido e rico. Tem que ser com este. Estava tão húmida de excitação que se despiu à janela e sem saber porque razão, gritou: Lady! Lady! Lady!
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
O TELEJORNAL DAS 19H37, A PRIMA DO HOMEM, A REVISTA MARIA E AS BOLAS
O homem estava a jantar na tasca do Zé Bola a comer bolas de pingue-pongue com grelos quando reparou na televisão. Babado pelos grelos e pelas bolas, vê a sua prima Lurdes numa reportagem do telejornal das 19h37 a ser empilhada juntamente com uma remessa de revistas Maria dessa semana. Essa reportagem ocupou cerca de 80% desse noticiário que acabou por volta das 25H48. O homem ficou espantado e até feliz pois a sua prima Lurdes parecia ser gente famoso do Jet Sete ou Oito. Lembrou-se que tinha tido uma aventura com ela e sentia-se um D. Juan cheio de sex appel e de outras coisas que aparecem nas revistas cor-de-rosa de todo o mundo. Eis que estava a magicar neste passado recente e encantador quando toca o seu telemóvel - último grito super-sónico e brilhante com música da Ágata e do Francisquinho em coro -. Quem era?! A tia-avó da sua prima Lurdes a comunicar-lhe que ligasse rapidamente a TV pois iria ter uma surpresa fantástica. Olá tia-avó da prima! - Disse o homem - estou a ver a prima Lurdes e está muito bem na TV, tão bem que até fiquei com vontade de repetir o que nos aconteceu. OK, disse a tia-avó da prima do homem; vamos saltar à corda amanhã de manhã, combinado?! OK tia-avó da prima, até amanhã no teu alpendre e não te esqueças da revista Maria. A mulher do Zé Bola ouviu a conversa (como é habitual) e pediu ao homem da prima se podia participar no salta-à-corda. Pode sim, disse o homem da prima, com muita delicadeza na mão direita e por baixo das partes. E para sobremesa, traga-me por favor um pudim de grelos com molho de bolas.
A MENINA QUE NASCEU COM UMA CRISE DE GENÉTICA OU A SAGA DAS PILAS-FRESCAS-AIROSAS
A menina nasceu com uma crise de genética e era por isso que se dava mal com o mau-olhado e com o quebranto.
A bruxa preparou-a para a vida e ofereceu-lhe um soutien muito sexy com o qual podia tapar as quatro mamas. Recomendou-lhe também uma t-shirt em forma de pila-fresca-airosa e um verniz afrodisíaco muito bom que a bruxa também usava em dias de cerimónia. Avisou-a que só podia sair à noite, de preferência com vestidos dourados com tiras de ganga, e que contasse sempre tudo o que ingerisse incluindo as famosas e deliciosas pilas-frescas-airosas que a bruxa bem conhecia e coleccionava. Que não arrotasse quando estivesse por cima nem por baixo, nem de lado, nem pendurada num qualquer candeeiro de discoteca, bar ou similar. Que procurasse defecar em horas decentes e que não incomodasse ninguém, sobretudo os políticos que são pessoas muito ocupadas e pouco dadas a meninas com crises de genética que supostamente gostam de pilas-frescas-airosas.
A bruxa e a menina desejam a todos um bom dia de música pimba com ou sem pilas-frescas-airosas, com ou sem crises de genética.
A bruxa preparou-a para a vida e ofereceu-lhe um soutien muito sexy com o qual podia tapar as quatro mamas. Recomendou-lhe também uma t-shirt em forma de pila-fresca-airosa e um verniz afrodisíaco muito bom que a bruxa também usava em dias de cerimónia. Avisou-a que só podia sair à noite, de preferência com vestidos dourados com tiras de ganga, e que contasse sempre tudo o que ingerisse incluindo as famosas e deliciosas pilas-frescas-airosas que a bruxa bem conhecia e coleccionava. Que não arrotasse quando estivesse por cima nem por baixo, nem de lado, nem pendurada num qualquer candeeiro de discoteca, bar ou similar. Que procurasse defecar em horas decentes e que não incomodasse ninguém, sobretudo os políticos que são pessoas muito ocupadas e pouco dadas a meninas com crises de genética que supostamente gostam de pilas-frescas-airosas.
A bruxa e a menina desejam a todos um bom dia de música pimba com ou sem pilas-frescas-airosas, com ou sem crises de genética.
Terça-feira, 15 de Junho de 2010
DO EXTRATERRESTRE E DO PRESERVATIVO
O Extraterrestre aterrou bem e pediu um copo de água que bebeu algures pelo joelho. Disse, através de um orifício próximo das nádegas, a quem estava por perto, que lhe apetecia algo mas que não sabia bem o quê. Falou expressivamente em linguagem visual-estética que é uma linguagem tipo gay que ainda não se fala por cá na sua totalidade. Contudo, a maioria dos gays presentes entenderam-no bem. Assim: todos o entenderam. Alguém falou alto para dizer que uma queca seria algo interessante como preâmbulo da visita. Assim que ouviu isto, o extraterrestre, através de sensores agarrados a umas coisas parecidas com cabelos púbicos, perto de um órgão parecido com o dedo maior do pé, correu para um anexo do disco voador, cor-de-rosa, forrado a cetim e a HJP467/&%%, em forma de galinha frita do KFC e trouxe um objecto parecido com a Torre de Belém a que chamou preservativo sónico alternativo ou limpo. Isto aconteceu antes de Portugal ter aderido à Energia Nuclear.
Moral desta história: não sabemos e também não interessa nada.
Moral desta história: não sabemos e também não interessa nada.
DO HOMEM QUE COMEU A VIZINHA SEM FICAR SATISFEITO
O homem comeu a vizinha e limpou-se ao guardanapo de papel oferecido pela sogra no último Natal. Como esta ficaria feliz quando o genro lhe contasse o acontecido! A vizinha não era tenrinha e além do mais não se banhava há muito tempo. Mesmo assim o homem comeu-a depois de lhe ter oferecido um colar de castanhas piladas cozinhadas no dia anterior pela sogra. A bem da verdade, convém dizer que o homem gostava mais de castanhas piladas do que de vizinhas tenrinhas que se podiam comer.
Moral desta história: comer uma vizinha de vez em quando nem sempre é sinónimo de felicidade.
Moral desta história: comer uma vizinha de vez em quando nem sempre é sinónimo de felicidade.
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